_DSF0020
_DSF0020

_DSF0020
_DSF0020

1/15

QUANDO O TEMPO PESA UMA TONELADA, 2021

Trabalho desenvolvido a partir de visitas realizadas em Brumadinho-MG, dois anos após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão. Algumas perguntas nos impulsionaram a pensar esse ambiente tóxico e presente, ainda que invisível, por meio das fotografias: “O que ainda reverbera, ainda que invisível, no local?”, “Quais outras formas de se fazer arquivo, documentando um evento não apenas na data ocorrida, mas num tempo expandido?”. Passado esse tempo da data da tragédia, nossa proposta partiu de fotografar de forma sensível o que restou do evento na paisagem local, em 2021, dois anos após o ocorrido. O que ainda tem para ser visto, que persiste, haveria de ser fotografado sutilmente, quase às cegas, como um horizonte desolado e casas abandonadas cobertas, intencionalmente, por plantas rasteiras e capim que escondem a lama.

Entre cliques feitos às escondidas, ou sobre hostilização dos funcionários da Vale que tudo vigiam, fotografamos com a câmera Zeiss Ikon, usando um negativo 120mm. Ao fotografar em película, o negativo torna-se um testemunho do lugar: coletamos a água local que, neste momento, a população não pode beber ou nadar, pois nos testes feitos estão sendo encontradas altas concentrações de ferro, de alumínio e mesmo de chumbo. Coletamos também a poeira de minério de ferro que, junto dessa água e dos químicos, utilizamos para revelar o filme: as fotografias revelam não apenas imagens do lugar, mas a própria materialidade do Córrego do Feijão, impressa no negativo. Portanto, elas falam dessa paisagem invisível e reconstituem diversas paisagens possíveis, imaginando o inimaginável, tentando capturar algo como se estivesse “pairando no ar” ou sob nossos pés.